Incineração de farinhas da BSE seria grave erro económico e ambiental

O Sr. Ministro do Ambiente declarou ontem que ainda considerava a hipótese de instalar um incinerador para queimar as farinhas originadas pelo combate à BSE.

Para a Quercus, estas declarações do Ministro são incompreensíveis e inaceitáveis, face às informações já disponíveis sobre processos de tratamento alternativo para estes resíduos, as quais são do pleno conhecimento do Ministério do Ambiente e estão a ser estudadas com muito interesse pelo Ministério da Agricultura através do INGA, enquanto diversas empresas que produzem estes resíduos já demonstraram interesse em avançar com projectos individuais.

O processo em causa permite através de um tratamento com bactérias (digestão anaeróbia) transformar os resíduos em biogás (gás metano) que será utilizado para produzir energia. Os pouco resíduos (essencialmente osso) originados podem ser tratados de forma muito económica sem recorrer à incineração.

Este processo é inócuo em termos ambientais e apresenta um custo zero para o Estado devido à grande eficiência do aproveitamento energético do biogás.

A incineração, por seu lado, é um processo poluente e caro, estimando documentos da União Europeia um custo de 225 Euros (45 contos) por tonelada, o que corresponderia a um gasto desnecessário para os cofres do Estado de mais de 4 milhões de contos só com a incineração das 120 mil toneladas de farinha armazenadas.

De referir, ainda, que a incineração destes resíduos seria um processo muito mais moroso do que a digestão anaeróbia, uma vez que necessita de estudo de impacte ambiental e poderá sofrer forte resistência das populações.   

 

 Lisboa, 13 de Novembro de 2002

 

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

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