Farinhas da BSE:
Proposta da Quercus poupa 45 milhões de euros por ano ao Estado
A Quercus apresentou hoje uma proposta para o tratamento dos resíduos originados pelo combate à BSE que se for aplicada pode poupar 45 milhões de euros (9 milhões de contos) por ano aos cofres do Estado.
Esta solução, comprovada através de experiência piloto em Coruche por uma empresa nacional, consiste no tratamento dos resíduos através de digestão anaeróbia, processo biológico que consiste na degradação da matéria orgânica por microorganismos na ausência de oxigénio.
Os resíduos são colocados num recipiente fechado (digestor) onde os microorganismos vão “comer” a matéria orgânica que assim é quase totalmente transformada em gás.
O gás (biogás) é constituído principalmente por metano, pelo que pode ser utilizado para produção de energia através de um gerador eléctrico. A energia produzida deve ser utilizada nas instalações e vendida para a rede como energia verde (energia renovável).
Esta solução é inovadora no país, mas também poderá tornar-se uma referência no tratamento dos resíduos da BSE nos restantes países europeus, face às suas vantagens ambientais, energéticas e económicas em relação a soluções como a incineração ou o aterro.
Com efeito, segundo os dados obtidos com a experiência de digestão anaeróbia de farinhas da BSE realizada numa unidade de tratamento de subprodutos animais em Coruche, a digestão anaeróbia apresenta as seguintes vantagens em relação à incineração e ao aterro:
1 – É uma solução a custo zero para o Estado, enquanto que a incineração ou o aterro custam cerca de 45 milhões de euros por ano (9 milhões de contos).
2 – É a solução energeticamente mais eficiente, produzindo 5 unidades de energia por cada unidade consumida (rendimento de 500%), enquanto a incineração gasta 3 unidades de energia para produzir 2 (rendimento de 66%).
3 – É a solução ambientalmente mais interessante devido a:
- produzir menos poluição atmosférica do que a incineração ou o aterro
- não dar origem a cheiros ou a águas resíduais como é o caso dos aterros.
4 – É uma solução mais rápida de implementar que a incineração, uma vez que não necessita de estudo de impacte ambiental e pode ser instalada nas próprias unidades que produzem os resíduos, facilitando assim o seu licenciamento.
5 – É uma solução flexível, não necessitando de uma grande capacidade instalada (já é viável apenas com uma tonelada de resíduos por dia), ao contrário da incineração e do aterro que necessitam de grandes capacidades para serem minimamente viáveis.
Face aos dados obtidos, a Quercus considera que o Governo deve com urgência estudar esta solução, nomeadamente através do aproveitamento dos digestores anaeróbios existentes e da instalação de novos digestores nos matadouros e nas unidades de processamento de subprodutos.
A urgência de avançar com esta solução prende-se com o facto de Portugal estar presentemente a gastar mais de 10 milhões de contos por ano (50 milhões de euros) com a gestão de cerca de 270 mil toneladas por ano destes resíduos através das operações de recolha, transporte, armazenamento, destroçamento, farinação e colocação em aterro destes resíduos.
Para mais informações, consultar texto mais desenvolvido em: http://www.quercus.pt (clique em “Centro de Informação de Resíduos” e “Resíduos Agrícolas - BSE”
Coruche, 9 de Outubro de 2002
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Contactos: 217788473, Pedro Carteiro (934285343), Rui Berkemeier (934256581)