Resíduos urbanos do Centro Litoral: Incineração na ERSUC iria adiar a resolução do problema para 2010, e os aterros esgotam em 2006
A urgência de uma solução para o lixo urbano, dados os aterros actuais se estarem a esgotar, tem sido apresentada pela ERSUC como a principal justificação para a escolha da incineração.
Na realidade, essa opção levaria a um grande atraso na resolução do problema daqueles resíduos, uma vez que na melhor das hipóteses a incineradora só estaria a funcionar em 2010.
Com efeito, todos os incineradores existentes em Portugal duraram no mínimo 6 anos a ser instalados desde que o projecto foi apresentado. A ERSUC ainda nem sequer atingiu essa fase, pois não tem ainda uma localização definida.
De facto, no caso da Valorsul (Lisboa) o processo demorou 6 anos, no caso da Lipor (Porto) demorou 8 anos e no caso da Madeira já decorreram 7 anos e ainda não está concluído.
Pelo contrário, a solução que a Quercus defende (valorização orgânica e reciclagem) tem um prazo de instalação de apenas 3 anos. Uma solução desse tipo foi aprovada há cerca de um mês pelos concelhos de Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra (AMTRES), e a sua entrada em funcionamento está prevista já para 2007.
Tal deve-se ao facto de ser uma solução mais simples e amiga do ambiente, não necessitando sequer de estudo de impacte ambiental.
Isto significa que, ficando os aterros da ERSUC esgotados no final de 2006, como a própria ERSUC tem indicado, a única solução que permite responder em tempo é a valorização orgânica e reciclagem.
A manter-se a escolha da incineração, a ERSUC teria de exportar lixo durante 4 anos, subindo a factura a pagar em flecha, devido aos custos de transporte para locais afastados que o pudessem receber.
Lisboa, 15 de Janeiro de 2004
Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
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