O próprio estudo da ERSUC mostra que a incineração é mais cara
Depois de mais de meio ano de esforços, a Quercus teve finalmente acesso há algumas horas a uma cópia do estudo da Hidroprojecto que a ERSUC tem invocado para justificar a sua opção pela incineração[1]. Segundo a ERSUC esse estudo mostraria que a incineração é a opção mais barata. Como todos os outros dados de que dispúnhamos iam em sentido inverso, indicando que o tratamento biológico-mecânico que defendemos é mais barato, estávamos muito curiosos em ter acesso a esse estudo.
O mais surpreendente é que, afinal, o próprio estudo que a Hidroprojecto fez para a ERSUC confirma que a incineração é mais cara.
Com efeito, no seu quadro 24 ("Indicadores de viabilidade nas alternativas consideradas", pag. 63), onde os aspectos económicos das alternativas estudadas são condensados, se mostra que:
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Alternativa |
Tarifa média |
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Tratamento Biológico Mecânico |
2.895$00 |
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Incineração |
3.459$00 |
Os números nesta tabela ainda deveriam ser mais desfavoráveis à incineração, pois de acordo com o recente plano do Governo de Julho de 2003 para a redução da matéria orgânica em aterros, a taxa de comparticipação do Fundo de Coesão na incineração pode atingir no máximo 25% (que é o cenário considerado na tabela acima para a incineração), enquanto que para o tratamento biológico mecânico pode atingir os 75% (mas o cenário considerado na tabela acima para o tratamento biológico-mecânico corresponde a apenas 50% de comparticipação, que é a maior taxa de comparticipação considerada no estudo da ERSUC). Para 75% de comparticipação podemos extrapolar que a tarifa para o tratamento biológico-mecânico seria de cerca de 1.950$00, em vez de 2.895$00.
Será sem dúvida possível tirar outras conclusões deste estudo da Hidroprojecto, mas a nossa primeira análise incidiu apenas sobre as questões de custos, visto ter sido nesse ponto que a argumentação da ERSUC em defesa da incineração se tem centrado.
Do que não estávamos seguramente à espera era que o estudo da ERSUC, mantido em tanto sigilo por esta durante tanto tempo, e por ela repetidamente invocado para justificar a afirmação da vantagem económica da incineração, afinal tivesse conclusão inversa para as taxas de comparticipação actuais.
Coimbra, 4 de Fevereiro de 2004
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