Óleos de fritar usados podem substituir gasóleo

 

A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza apresenta hoje, em conjunto com a Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira no Seixal, um processo que permite tratar os óleos de fritar usados para posterior utilização como substituto do gasóleo.

Esta solução consiste na transformação dos óleos vegetais usados em biodiesel, através de um processo químico de transesterificação. O biodiesel assim produzido pode substituir o consumo de gasóleo numa percentagem não superior a 20% em unidades de produção mais simples, podendo em unidades mais sofisticadas ser produzido um biocombustível que substitui na íntegra o gasóleo.

 

OS ÓLEOS ALIMENTARES, A SAÚDE E O AMBIENTE

Em Portugal, segundo a Agência para a Energia, os óleos alimentares usados constituem cerca de 125 mil toneladas por ano e o seu destino principal tem sido o envio para as redes de esgotos, causando graves problemas no funcionamento das ETAR’s (Estações de Tratamento de Aguas Residuais) .

Actualmente, segundo a mesma fonte, apenas serão recolhidas cerca de 3 mil toneladas por ano.

O destino desses óleos recolhidos tem sido o fabrico de sabão, mas também um destino inaceitável: o fabrico de rações animais.

 

Com efeito, em Portugal ainda é autorizada a incorporação de óleos alimentares usados em rações para animais, o que origina a passagem para a cadeia alimentar de diversos compostos tóxicos e mesmo cancerígenos formados quando alguns dos óleos de fritar não são substituídos com a devida periodicidade.

 

VANTAGENS DO BIODIESEL

A utilização de óleos alimentares usados para o fabrico de biodiesel, apresenta, entre outras, as seguintes vantagens:

-         resolve os problemas provocados pela descarga de óleos vegetais nas ETAR´s, tais como o entupimento de condutas;

-         fornece um combustível alternativo ao gasóleo, reduzindo a nossa dependência externa em combustíveis fósseis;

-         reduz a poluição atmosférica, nomeadamente em relação a partículas e dióxido de enxofre;

-         é uma fonte de energia renovável, reduzindo a emissão de gases de estufa como o dióxido de carbono,

-         cria postos de trabalho.

 
ESTRATÉGIA PARA GESTÃO DOS ÓLEOS ALIMENTARES USADOS
Tendo em consideração as diversas vantagens ambientais, sociais e económicas da utilização de óleos alimentares usados no fabrico de biodiesel, a Quercus elaborou uma estratégia que vai apresentar aos responsáveis governamentais das áreas de ambiente, saúde, energia e transportes e que tem como linhas mestras as seguintes medidas:

 

1 – estabelecimento de incentivos fiscais que promovam a produção e consumo de biodiesel em detrimento dos combustíveis fósseis, à semelhança da autorização dada pela Comissão Europeia à Suécia para favorecer os Biocombustíveis neutros do ponto de vista de emissões de CO2 através de uma redução dos impostos. Esta medida foi aprovada no âmbito da Directiva 92/81/EEC sobre os combustíveis fósseis, que estabelece os impostos mínimos a aplicar pelos estados membros;
 
2 - proibição da utilização de óleos alimentares usados no fabrico de rações animais;

3 – apoio a projectos-piloto de produção de biodiesel em câmaras municipais para autoconsumo nas suas frotas;

 

4 – proibição generalizada do despejo de óleos alimentares na rede pública de águas residuais pelo sector da restauração;

 

5 – criação de uma rede de recolha junto dos grandes produtores (restaurantes, cantinas, hotéis, fábricas de batatas fritas e empresas de catering) complementada por uma rede para os cidadãos em geral, na qual as escolas poderiam ter um papel crucial.

 

 

Lisboa, 23 de Janeiro de 2003

 

Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

Contactos: 

Quercus: Rui Berkemeier 934256581, 217788473, Pedro Carteiro 934285343

Escola Alfredo dos Reis Silveira: Idalina Tomás de Aquino 919355195