Consumíveis Informáticos

 

Caracterização da Situação Actual

Definição: Consumíveis informáticos são todos os produtos relacionados com o uso de material informático: CDs, Disquetes, Monitores, Impressoras, Computadores, Cabos, Cartuchos de Dados e Cartuchos de Impressão.

 

Classificação: Catálogo Europeu de Resíduos - (Portaria 818/97 de 5 de Setembro)

Código: Designação:
08 03 00 Resíduos de FFDU de tintas de impressão:
08 03 01 Resíduos de tintas de impressão contendo solventes halogenados.
08 03 02 Resíduos de tintas de impressão sem solventes halogenados.
08 03 03 Resíduos de tintas de impressão de base aquosa.
08 03 04 Tintas secas.
08 03 05 Lamas de tintas contendo solventes halogenados.
08 03 06 Lamas de tintas sem solventes halogenados.
08 03 07 Lamas aquosas contendo tintas de impressão.
08 03 08 Resíduos de líquidos aquosos contendo tintas de impressão.
08 03 09 Resíduos de toner de impressão (incluindo cartuchos).
08 03 99 Outros resíduos não especificados.

De notar que o Instituto dos Resíduos junta os consumíveis com o restante material, considerando-os o mesmo tipo de resíduos e perigosidade.

Esta classificação não tem qualquer nexo, pois está-se a incluir cartuchos de plástico no mesmo saco que tintas e solventes de grande perigosidade (toxidade).

Apenas alguns cartuchos de impressão, principalmente os toners é que representam grande perigosidade em termos de libertação/composição de materiais perigosos.

Algumas empresas não consideram estes cartuchos, quer de toners, quer de tinta perigosos, pois não efectuam qualquer tipo de reciclagem ou reutilização (não exercem qualquer manipulação nos cartuchos), apenas os reencaminham para re-manufacturação de qualidade quer do produto quer ambiental.

Quando é feita a reciclagem ou reenchimento (tal como é feita em Portugal) aí sim, existem grandes perigos, pois em muitos casos não é dado um destino adequado ao subprodutos (estes sim PERIGOSOS, pois tratam-se de restos (resíduos) de tinta e toner, extraídos de cartuchos usados que têm actualmente por destino a sanita mais próxima ou o caixote do lixo.

Essas empresas embalam em sacos de plástico e em caixas apropriadas, sempre que possível as de origem e reencaminham para a Holanda, o Reino Unido e a Alemanha onde é realmente reciclado o material que não é possível reutilizar devido ao desgaste e é reutilizado o restante, basicamente apenas o cartucho, a embalagem em si.

Quanto ao restante material não existe qualquer solução em Portugal, nem é dada qualquer importância, mas as quantidades não param de aumentar.

Cada vez mais os CDs regraváveis estão a entrar no mercado e em pouco tempo serão tão vulgares como uma cassete de áudio, um isqueiro ou uma caneta.

Qualquer pessoa pode agora comprar uma impressora por menos de 17.000 Esc. Falta um destino para as impressoras velhas, os monitores e as placas e as caixas, assim como para os televisores e os vídeos.

No que diz respeito aos CDs algumas das empresas contactadas terão em breve uma solução que poderá passar por uma reutilização após um tratamento especifico realizado por uma empresa do Reino Unido, mas este tratamento implica custos. Neste momento põe-se a questão de saber se as editoras e outros consumidores em Portugal estarão dispostos a pagar para que esses resíduos sejam recuperados quando ao mesmo tempo podem comprar novos CDs a menos de 200 Esc..

Em relação ao restante material, em Portugal é bastante difícil pois as entidades governamentais criam grandes barreiras a quem queira tomar alguma iniciativa nesta área, incentivando assim à continuação da deposição em aterro e/ou incineração.

Existem várias empresas que fazem retomas de material usado, mas este material destina-se a ser comercializado novamente e o que não interessa vai directamente para o lixo.

Algum dia esse material ficará tão obsoleto que o único destino será o lixo, quando poderia ser reciclado dando origem a novas matérias primas e a uma significativa diminuição da exploração de Recursos Naturais.

Nos EUA e em alguns países da UE existem já empresas recicladoras, e aqui estamos a excluir os sucateiros que queimam as peças por inteiro para apenas aproveitar os metais ferrosos e não ferrosos. Contudo estas empresas recicladoras cobram para que o material seja tratado e coloca-se o mesmo problema que os CDs.

 

Impactos Ambientais

Dados Quantitativos e Qualitativos:

Em 1994 estimavam-se em 300 mil cartuchos por mês lançados para o lixo em Portugal. Hoje este valor deverá situar-se à volta dos 2 milhões de cartuchos por mês.

Não há qualquer dúvida que são muitos cartuchos, mas nem todos são recuperáveis:

Existem tinteiros que pelo seu valor residual muito baixo, não são recuperados. Nestes cartuchos estão incluídos cartuchos ink-jet sem cabeça de impressão (impossível de reutilizar e reciclagem dificultada), toner’s de fotocopiadoras (apenas a embalagem plástica e que sai mais caro limpar e fazer o reenchimento do que produzir de novo), fitas de impressoras matriciais (sai mais caro fazer a retintagem ou substituição integral da fita do que fazer de novo) e cartuchos de impressoras laser já obsoletos.

 

Destinos Actuais:

Não havendo nenhuma empresa de reciclagem em Portugal licenciada, não é possível saber ao certo qual a quantidade de cartuchos reciclados em Portugal, mas será concerteza uma percentagem muito baixa, talvez insignificante, não atingindo os 1%.

O destino mais usual é o caixote do lixo, pois não existe sensibilização nem esforço e iniciativa por parte das entidades responsáveis.

Depois temos algumas empresas de reciclagem artesanal, que fazem um reenchimento semelhante aquele que se fazia na Europa à mais de 10 anos. Existem algumas dúvidas quanto aos aspectos ambientais da reutilização feita em diversas empresas em Portugal, nomeadamente quanto ao destino de subprodutos, restos de tintas e pó (toner), que deverá ser em muitos casos o caixote do lixo.

Em muitos casos, não são substituídas peças fundamentais à qualidade de impressão e bom funcionamento das máquinas. Há casos de impressoras danificadas pela utilização de cartuchos não originais (com qualidade e garantia dos fabricantes).

As instalações destas empresas não estão licenciadas para actividade industrial.

Cada dia surgem mais empresas que funcionam em sistema de franchising levantando algumas dúvidas em relação à qualidade do seriço prestado.

Enquanto em Portugal se faz uma lavagem dos tinteiros com água, as empresas europeias fazem limpeza dos cartuchos por meio de ultra-sons que garantem uma maior limpeza e qualidade do produto final.

Em Portugal, os cartuchos de toner nem sempre são abertos e limpos, por vezes é feito apenas um pequeno furo com um berbequim e cheio de toner novamente.

O toner assim como a tinta é específico para cada tipo de cartucho e existem tintas para todos os preços e qualidades. As empresas europeias e americanas apostam sempre num bom pó ou tinta pois a qualidade de impressão muito depende da tinta/toner utilizado e do rolo que transporta o toner para o papel.

O custo de das máquinas de que falamos vão desde os 5 mil contos até aos 10 mil contos cada, incluindo-se máquinas de limpeza de cartuchos, aspiradores especiais de grande capacidade e grande potência, máquinas distribuidoras de toner, máquinas reenchimento dos cartuchos de tinta e impressoras para se proceder aos testes de impressão.

Algumas empresas nem sequer incluem qualquer marca ou mencionam qualquer morada ou nome nos seus cartuchos, pois se o produto começar a perder vendas, troca-se a caixa e muda-se o aspecto. Isto é ilegal, tem de estar identificado o produtor ou o importador, entidade responsável pelo produto.

 

Prioridades de Gestão:

Em primeiro lugar seria necessário uma fiscalização eficaz às empresas que se dizem recicladoras e amigas do ambiente.

As instalações, normalmente em garagens ou apartamentos não estão licenciadas para actividades industriais.

Seria necessário a constituição de uma Associação Nacional que controlasse esta indústria em Portugal e que fizesse parte da entidade fiscalizadora e apreciadora de empresas que quisesses iniciar tal actividade, sujeitando-se a um processo de candidatura e licenciamento. Esta associação seria útil para defender os recicladores respeitadores das normas legais, de qualidade, ambiente e copyright.

Nos EUA e na Europa estas associações têm grande poder de intervenção quando certos fabricantes insistem em dificultar a vida aos recicladores e cometem também grandes ilegalidades ao dificultar e impossibilitar a reciclagem por meio de dispositivos electrónicos e outros. Quer nos EUA quer na Europa estas associações de recicladores têm mostrado muita força em defender os seus direitos e fazer cumprir as normas legais.

 

Experiência Europeia e/ou Americana:

Tal como já foi relatado anteriormente as diferenças são evidentes.

Nesta comparação, ao referirmos Europeia ou Empresas Europeias estamos a excluir de imediato empresas de Espanha, França ou Itália. Isto porque a reciclagem nestes países é muito idêntica à efectuada em Portugal e são empresas espanholas, francesas e italianas as responsáveis pelo franchising em Portugal.

Nos EUA ou noutros países da Europa um cartucho quando chega à fábrica tem o seguinte percurso:

  1. Depois de desembalado é levado para um aspirador especialmente desenhado de grande potência para aspirar resíduos de pó que estejam no exterior do cartucho.
  2. O cartucho é colocado numa impressora para se certificar que está a funcionar correctamente. Se está bom, segue para remanufacturação, se tem alguma avaria é reencaminhado para uma secção onde é analisado em pormenor e caso não seja possível recuperar é desmantelado e reciclado por peças, plásticos, metais ferrosos, metais não ferrosos, e outros.
  3. Os cartuchos bons, vão por tapetes rolantes até aos empregados especializados na desmontagem. O cartucho é desmantelado a 100.
  4. O cartucho é novamente aspirado e limpo por máquinas especialmente concebidas.
  5. Depois de todas as peças limpas e o cartucho sem resíduos, é novamente construído (por isso se chama remanufacturado, é fabricado de novo).
  6. São substituídas todas as peças que sofrem desgaste, mesmo que algumas peças não tenham atingido um desgaste elevado, são substituídas por forma a durarem o mesmo número de cópias que o resto do cartucho de impressão. O número de peças substituídas varia consoante o cartucho, mas são cerca de 6 peças a substituir, entre várias lâminas, feltros e rolos.
  7. O cartucho é novamente cheio de toner e selado (por forma automática), aqui não há lugar para colas e fitas que depois não resistem às elevadas temperaturas a que é submetido o cartucho dentro da impressora evitando que este se abra dentro da máquina podendo danificá-la para além da poluição local que iria provocar.
  8. O cartucho é novamente submetido a testes na impressora e as folhas impressas são analisadas por computador ou empregados especializados equipados com lupas e óculos especiais para observar quaisquer imperfeições na impressão.
  9. Passando nestes testes, o cartucho vai para a secção de embalagem, é colocado em sacos de plástico 100% opacos e resistentes para que nem a luz, nem o calor passem, pois se tal acontecesse, o cartucho poderia ficar desmagnetizado e libertar pó ou serem alteradas as suas propriedades.
  10. Por fim o cartucho é embalado em caixas próprias da empresa, com uma marca especifica e registada, e está pronto a ser comercializado a um preço até 25% inferior ao original mas de qualidade idêntica ou superior (dependendo dos componentes utilizados, pois existem peças e tintas de laboratórios independentes que produzem tintas e rolos que permitem superar a qualidade em relação aos originais.

Os materiais utilizados (componentes substituídos e pó) são submetidos a testes por forma a garantir a qualidade do produto no seu conjunto. Os recicladores recorrem a empresas de grande prestigio internacional tal como a RICOH, MITSUBISHI, AEG, HP, etc.

Para finalizar, gostaríamos de referir que os fabricantes de consumíveis originais em Portugal estão de costas voltadas e contra a reciclagem, contudo, nas feiras da especialidade realizadas nos EUA (Las Vegas) e Europa (Bruxelas), os fabricantes de cartuchos originais estão presentes com os seus enormes stands para fornecer formação profissional, peças, componentes e todo o tipo de apoio que possam prestar a recicladores dos seus produtos.

Os fabricantes só têm a ganhar, pois terão sempre os seus clientes de cartuchos originais e ainda terão recicladores que se tornarão clientes e poderão ajudar os fabricantes em alturas difíceis de produção e/ou rotura de stocks. É claro que a reciclagem tem de ser cuidada e de qualidade tal como mandam as regras.

 

Legislação

Legislação geral dos resíduos.

 

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Data de actualização: 13/03/2002