Embalagens
· A evolução do consumo de embalagens
·
Comissão de Acompanhamento da Gestão de Embalagens e Resíduos de Embalagens (CAGERE)
· O que é
Embalagens são todos os produtos feitos de materiais de
qualquer natureza, utilizados para conter, proteger, movimentar, manusear,
entregar e apresentar mercadorias, tanto matérias-primas como produtos
transformados, desde o produtor ao utilizador ou consumidor, incluindo todos os
artigos ‘descartáveis’ utilizados para os mesmos fins. Os materiais
constituintes mais comuns são os plásticos, papel e cartão, metais e vidro.
A definição de embalagem engloba:
1)
Embalagem primária ou de venda - qualquer embalagem
concebida com o objectivo de constituir uma unidade de venda ao utilizador ou
consumidor final no local de compra.
2)
Embalagem secundária ou grupada - qualquer embalagem
concebida para permitir agrupar um determinado número de unidades de um
produto, quer sejam vendidas como tal ao utilizador ou consumidor final, quer
sejam utilizadas apenas como meio de aprovisionamento no ponto de venda; este
tipo de embalagem pode ser retirado do produto sem afectar as suas
características.
3)
Embalagem terciária ou de transporte - qualquer embalagem
concebida com o objectivo de facilitar a movimentação e o transporte de uma
série de unidades de venda ou embalagens grupadas, a fim de evitar danos
físicos no decorrer das operações de movimentação e transporte; não estão
incluídos os contentores para transporte ferroviário, rodoviário, marítimo ou
aéreo.
O papel desempenhado pelas embalagens em cada sociedade ou
em cada país pode ser considerado, de certa forma, como um barómetro do seu
desenvolvimento e da estrutura social em que assenta.
A utilização de embalagens, tal como a conhecemos hoje,
conheceu um amplo desenvolvimento principalmente junto das populações urbanas,
em estreita interligação com a emergência de novos padrões de vida e hábitos de
consumo.
O progressivo afastamento dos locais de produção, e
consequentemente, a necessidade de permitir o transporte e conservação dos
produtos por períodos de tempo mais longos; o aparecimento de novas formas de
comércio - supermercados, hipermercados - que implicam uma maior
individualização dos produtos para uma mais fácil e rápida disponibilização
para os consumidores; as alterações nos ritmos de vida dos próprios
consumidores com a introdução de novos hábitos de consumo, e a preocupação
crescente com as questões de saúde pública, associadas às condições de
conservação e possíveis contaminações dos produtos comercializados,
contribuíram decisivamente para a quase omnipresença das embalagens nas nossas
acções quotidianas.
(Informação
a actualizar)
(Informação
a actualizar)
(Informação
a actualizar)
Comissão de Acompanhamento da Gestão de Embalagens e Resíduos de Embalagens (CAGERE)
A CAGERE é uma entidade de consultoria técnica que funciona
junto do Instituto de Resíduos e tem como principal atribuição acompanhar o
cumprimento das disposições legislativas respeitantes aos sistemas de gestão de
embalagens e seus resíduos.
Neste âmbito, possui como principais competências:
A CAGERE funciona junto do Instituto de Resíduos
A CAGERE é composta por representantes das seguintes
entidades:
Por reutilização de embalagens podemos entender
"(...) qualquer operação pela qual uma embalagem, concebida e projectada
para perfazer um número mínimo de viagens ou rotações no seu ciclo de vida, é
enchida de novo, com ou sem apoio de produtos auxiliares presentes no mercado
que permitam o novo enchimento da própria embalagem, ou reutilizada para o
mesmo fim para que foi concebida (...)" (n.º 5 do artigo 3º da Directiva
n.º 94/62/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia, de 20 de
Dezembro de 1994, relativa a embalagens e resíduos de embalagens).
Impactos positivos
Impactes negativos
É importante referir que estes eventuais impactes
negativos podem ser facilmente ultrapassados, e em alguns casos poderão mesmo
potenciar mudanças com reflexos positivos na eficiência da própria actividade
desenvolvida.
Em termos legislativos, Portugal possui legislação de
vanguarda quando comparada com aquela que era preconizada pela Directiva nº
94/62/CE. De facto, em termos comunitários não foram estabelecidas metas de
reutilização de embalagens (ainda que esta fosse incentivada), mas Portugal
optou por o fazer, ainda que o âmbito temporal da sua aplicação esteja limitado
ao final de 1999, pelo que persistem algumas dúvidas sobre as metas que serão
definidas para os anos seguintes.
Assim, considerando o ano de 1999, a Portaria n.º 29-B/98
estabelecia no n.º5 do artigo 5º, que para o ano de 1999 seria necessário
assegurar os seguintes níveis mínimos de reutilização (expressos em percentagem
dos volumes totais, em litros):
A Portaria nº 29-B/98 estabelece ainda que "(...)
todos os distribuidores/comerciantes que comercializem bebidas refrigerantes,
cervejas, águas minerais naturais, de nascentes ou outras águas embaladas e
vinhos de mesa (excluindo aqueles com a classificação de vinho regional e
VQPRD) acondicionados em embalagens reutilizáveis devem comercializar também a
mesma categoria de produtos acondicionados em embalagens reutilizáveis."
no sentido de assegurar o direito de opção do consumidor (n.º8 do artigo 2º).
Nos estabelecimentos hoteleiros, de restauração e similares, as bebidas
refrigerantes, cervejas e águas minerais naturais, de nascentes ou outras águas
embaladas destinadas a consumo imediato no próprio local, terão que ser
obrigatoriamente acondicionadas em embalagens reutilizáveis (n.º3 do artigo
5º).
Em relação a este último aspecto, é salvaguardada a
possibilidade de serem organizados sistemas específicos de consignação, ou um
sistema de recolha selectiva e transporte específico, desde que tais sistemas
garantam a reciclagem das embalagens não reutilizáveis (n.º3 do artigo 6º).
Nos últimos meses de 1999 foi concedida a licença à
Sociedade Ponto Verde, S.A. por parte do Ministério do Ambiente e do Ministério
da Economia para que seja criado o Sistema Verdoreca, através do qual se
pretende assegurar a alternativa à reutilização de embalagens no canal HORECA.
A situação a nível comunitário
No quadro que se segue são apresentados os valores
registados em termos da reutilização de embalagens primárias para líquidos
alimentares nos países da União Europeia. Este quadro é parte integrante do
Relatório da Comissão ao Conselho e ao Parlamento Europeu [Bruxelas.
19.11.1999; COM (1999) 596 final], no âmbito da revisão em curso da Directiva
94/62/CE relativa a embalagens e resíduos de embalagens.
|
Embalagem |
Embalagens de refrigerantes+ sumos |
Embalagens de cerveja |
Embalagens de água mineral |
Embalagens de vinho |
Embalagens de leite |
|||
|
Consumo total UE |
39 109 litros (1996) |
30 109 litros (1996) |
26 109 litros (1997) |
12 109 litros |
37 109 litros (1996) |
|||
|
Material de embalagem |
Vidro |
PET |
Vidro |
Barris de metal |
Vidro e PET |
Vidro |
Pipas |
Vidro e Papel complexo |
|
Reutilização total UE |
13 109 litros |
2,2 109 litros |
12 109 litros |
10 109 litros |
10 109 litros |
2,1 109 litros |
1,3 109 litros |
9 109 litros |
|
Áustria |
47 |
8 |
58 |
32 |
89 |
83 |
-- |
19 |
|
Bélgica |
-- |
-- |
53 |
39 |
-- |
9 |
-- |
6 |
|
Dinamarca |
81 |
-- |
92 |
8 |
96 |
27 |
-- |
0 |
|
Finlândia |
44 |
45 |
71 |
25 |
94 |
71 |
1 |
0 |
|
França |
3 |
0 |
14 |
24 |
2 |
10 |
-- |
0 |
|
Alemanha |
61 |
11 |
60 |
21 |
88 |
29 |
-- |
6 |
|
Grécia |
9 |
0 |
73 |
6 |
-- |
0 |
-- |
-- |
|
Irlanda |
-- |
-- |
4 |
80 |
9 |
0 |
-- |
-- |
|
Itália |
-- |
-- |
12 |
16 |
17 |
5 |
30 |
1 |
|
Luxemburgo |
-- |
-- |
34 |
52 |
-- |
-- |
-- |
-- |
|
Países Baixos |
-- |
-- |
69 |
31 |
-- |
-- |
-- |
15 |
|
Portugal |
39 |
0 |
54 |
30 |
10 |
50 |
20 |
0,5 |
|
Espanha |
15 |
0 |
33 |
34 |
12 |
32 |
10 |
0 |
|
Suécia |
31 |
29 |
28 |
13 |
86 |
55 |
-- |
0 |
|
Reino Unido |
3 |
0 |
3 |
66 |
-- |
0 |
-- |
32 |
Fonte: Reutilização de embalagens primárias. Relatório final (Abfallberatung Müllvermeidung &
Recycling, Andreas Golding D-72074 Tübingen)
A situação portuguesa
De seguida apresentamos os dados disponíveis sobre a
situação portuguesa que caracterizam a evolução que se tem registado nos
últimos anos, onde a tendência para uma diminuição do consumo de produtos em
embalagens reutilizáveis em benefício de embalagens descartáveis se tem vindo a
acentuar.
O caso dos refrigerantes - Dados Gerais
|
Milhões de Embalagens/Ano |
1992 |
1993 |
1994 |
1995 |
1996 |
1997 |
|
Tara Retornável |
443,3 |
399,7 |
350,5 |
336,8 |
284,9 |
264,8 |
|
% |
66 |
59 |
52 |
46,6 |
38,5 |
32 |
|
Tara Perdida |
226,6 |
275,5 |
319,4 |
385,8 |
455,5 |
556,2 |
|
% |
34 |
41 |
48 |
53,4 |
61,5 |
68 |
|
Total |
669,9 |
675,2 |
669,9 |
722,6 |
740,4 |
821 |
Fonte: ANIRSF
|
Milhões de Litros/Ano |
1992 |
1993 |
1994 |
1995 |
1996 |