Óleos Alimentares

Introdução

Descrição

Classificação dos óleos

 Óleos alimentares

O óleo vegetal como combustível

Comportamento dos óleos vegetais em motores Diesel

Derivados dos óleos – Os ésteres 

Poluição atmosférica

Considerações económicas

Legislação Aplicável

Resolução Para as Energias renováveis da Comissão Europeia

Reciclagem de óleos para sabão

Utilização de óleos para rações

Conclusão

A Quercus está a elaborar uma proposta de gestão para este resíduo, agradecemos o envio de sugestões.

1 – Introdução

 

      Os óleos de fritar usados, tal como os óleos de automóvel usados, quando lançados no meio ambiente (redes de esgotos, solo, meio hídrico) provocam problemas de poluição das águas e solos.

      Se bem que sendo considerado com um resíduo não perigoso, devido a oxidar em maior ou menor grau ao ar, os óleos quando lançados nas redes de drenagem de águas residuais poluem os meios receptores hídricos e obstruem os filtros de gorduras existentes nas ETAR’S sendo um obstáculo ao seu bom funcionamento.

      Faltam dados sobre as quantidades de óleos alimentares usados produzidos em Portugal, assim como sobre o seu destino actual. No entanto, segundo as fontes disponíveis serão produzidos anualmente em Portugal cerca de 125 mil toneladas deste resíduo, das quais apenas 3000 serão recolhidas.

      Sobre o óleo de fritura usado pode-se considerar o seguinte:

      Pode ser utilizado para fabricar sabão.

      Pode ser utilizado como combustível directamente em motores diesel, ou pode ser reciclado para obter um derivado que serve como combustível em mistura com o gasóleo ou queimado directamente. Chama-se a este combustível biodiesel.

      Este combustível é neutro do ponto de vista de dióxido de carbono, uma vez que o dióxido de carbono libertado é equivalente ao que foi absorvido pela fotossíntese das plantas que lhe deram origem.

      Reduz a emissão de partículas e de enxofre dos escapes dos motores diesel.

      Substitui importações de produtos petrolíferos e contribui para a independência económica.

 

2 – Descrição

 

      Os óleos e as gorduras vegetais são essencialmente constituídos por triglicéridos resultantes da esterificação de vários ácidos gordos pelo glicerol, que é um tri-alcool. Esses ácidos gordos poderão conter ou não, uma ou várias ligações duplas e o comprimento das respectivas cadeias varia consoante a origem botânica da planta de onde extrai o óleo.

      Esta composição química tem grande interesse visto dependerem dela as propriedades físicas essenciais do óleo, como a viscosidade, o ponto de fusão, a estabilidade térmica e o índice de cetano, permitindo assim prever, à partida o comportamento de um dado óleo vegetal e a sua decomposição e manuseamento.

      Além dos óleos vegetais propriamente ditos, também existem outras gorduras de origem animal, as banhas, que podem com vantagem ser utilizadas e valorizadas.

 

3 – Classificação dos óleos

 

      Podemos classificar os óleos vegetais em vários grupos, consoante os ácidos gordos que neles predominam. Os grupos mais importantes são os que a seguir se indicam [Stern et al., 1983]:

     -    Grupo do ácido láurico (C12) inclui óleos relativamente saturados com índices de iodo entre 5 e 30 (exemplo: óleo de coco e coconote).

    -    Grupo do ácido palmítico (C16) são óleos igualmente saturados e inclui o óleo de palma.

    -    Grupo do ácido oleico (C18:1) – a maioria destes óleos tem um índice de iodo compreendido entre 80 e 110, sendo por isso insaturados (exemplo: azeite, amendoim, colza e panqueira)

    -    Grupo do ácido linoleico (C18:2) inclui óleos com índice de iodo geralmente superior a 110 sendo considerados insaturados (exemplos: girassol, soja e algodão)

 

      Esta distinção dos óleos com base no seu grau de insaturação e no tamanho das moléculas dos ácidos gordos que os constituem permite, de uma forma grosseira, a sua classificação.

      Os óleos que possuam um teor elevado de ácido linoleico ou linolénico tendem a ser sicativos, isto é, pouco resistentes à oxidação. Por outro lado , o índice de cetano é geralmente fraco. São pois mais facilmente degradados desaparecendo do meio ambiente em períodos de tempo mais curtos.

      Os óleos saturados do tipo esteárico ou palmítico, são pouco fluidos (grande viscosidade) mas são resistentes à oxidação. Encontram-se normalmente no estado sólido à temperatura ambiente. Têm um índice de cetano, regra geral excelente. A sua grande viscosidade ou solidez aliados à resistência à oxidação fazem com que perdurem no meio ambiente e sejam de difícil remoção e limpeza, tendo de ser aquecidos até ao seu ponto de fusão para remoção ou posterior valorização.

       As gorduras animais e banhas são também utilizadas com elementos de mistura em óleos de menor qualidade, originando cheiros desagradáveis e alterando as composições dos óleos.

 

4 – Óleos alimentares usados.

 

       Após a sua utilização para a confecção de alimentos por fritura, são adicionados aos óleos uma série de elementos que vêm alterar as suas características, nomeadamente:

 

    -    Partículas em suspensão (exemplo: pão ralado, peles, ovo, etc)

    -    A composição química por efeito do aquecimento acima de 180º C é alterada, passando a apresentar características polinsaturadas. Se o óleo for sujeito a um período demasiado grande de utilização a altas temperaturas a concentração de polinsaturados torna os produtos fritos com esses óleos prejudiciais à saúde humana.

    -    Quando o aquecimento é muito intenso, (acima de 250º C) o óleo começa a queimar apresentando fumos, fuligens e cinzas em suspensão que lhe conferem uma cor escura. Estas partículas podem ser também prejudiciais à saúde humana.

 

5 – O óleo vegetal como combustível.

 

     O engenheiro Rudolf Diesel já em 1911 escreveu; “Ignora-se em geral que é possível usar directamente, óleos animais e vegetais em motores Diesel. Em 1900 a sociedade Otto levou à Exposição Universal de Paris um pequeno motor Diesel que trabalhava com óleo de amendoim, funcionando tão bem que poucos visitantes se apercebiam da substituição [Vaitilingom, 1983].

      A utilização de óleos vegetais como combustíveis não é, portanto, uma ideia nova. Vários trabalhos foram efectuados no passado e muitos outros estão sendo desenvolvidos actualmente nesta área. Convém, no entanto distinguir dois períodos:

    -    Um primeiro período até 1950, altura em que a industria petrolífera iniciou um rápido desenvolvimento com abandono das pesquisas nesta área;

    -    Um segundo período após 1973, em que estas pesquisas ganharam um novo impulso e actualidade devido às crises petrolíferas.

    -    Nos dias de hoje devido ao reconhecimento dos perigos ambientais da utilização dos produtos derivados do petróleo e pelas consequências que o aquecimento global tem e virá a ter no futuro do clima do planeta.

    -    Também devido à mudança do cenário político, a independência energética em relação aos países produtores de petróleo e às multinacionais de produtos petrolíferos são um objectivo essencial para a paz.

 

6 - Comportamento dos óleos vegetais em motores Diesel.

 

        Se bem que apenas tenha sido usado para queima directa pontualmente em situações de emergência, os problemas de viscosidade, obrigaram a diluir o óleo em gasóleo ou efectuar o arranque a gasóleo antes de usar o óleo directamente.

        Existem no entanto uma série de inconvenientes para o uso directo nos motores actuais

    -    Formação de depósitos nos injectores

    -    Entupimento dos filtros

    -    Desgaste provocado pelos ácidos livres

    -    Espessamento do óleo do cárter

    -    Fumos

    -    Aumento do consumo

    -    Por vezes, dificuldades no arranque a frio.

 

        O maior problema encontrado é a queima incompleta, deixando depósitos carbonosos e acumulação de gordura na zona superior da câmara de combustão, êmbolo e segmentos, podendo obturar o injector.

 

7 – Derivados dos óleos – Os ésteres

 

       Devido aos problemas mencionados, uma das vias encontradas para os contornar, consiste em usar os ésteres resultantes da transesterificação dos óleos vegetais.

    -    Esterificação – Os álcoois reagem com os ácidos orgânicos e inorgânicos para formar derivados designados de maneira geral por ésteres. Esta reacção é lenta podendo necessitar de muitos dias para se completar, mas pode ser acelerada pela presença de iões H+ (vestígios de um ácido inorgânico), que exercem um uma acção catalítica. Por outro lado é reversível e portanto limitada pela reacção inversa, que se denomina hidrólise. [Arnaud, 1978]

    -    Transesterificação – Os óleos vegetais são essencialmente constituídos por triglicéridos (triésteres) resultantes da esterificação de ácidos gordos pelo glicerol, que é um tri-alcool. As reacções de esterificação que consistem na conversão de um ácido gordo noutro éster do mesmo ácido, são designadas por transesterificação. Assim, a transesterificação consiste em fazer reagir sobre os triglicéridos na presença de um catalisador um monoalcool que irá substituir o glicerol, formando-se então três moléculas de éster a partir de cada molécula de triglicérido [Mensier 1952].

       A produção de ésteres metílicos de óleos vegetais é conhecida há muito  e realizada industrialmente com o objectivo de fornecer matérias primas com várias aplicações na industria química (agentes emulsifiantes, detergentes, lubrificantes, etc.). Uma das principais indústrias em Portugal a usar os óleos vegetais de fritura usados é a industria do sabão. A nível europeu a cosmética e os combustíveis também começam a ter expressão, nomeadamente na Áustria, Alemanha, França e em Espanha. Em Espanha os nossos vizinhos já montaram várias unidades de produção em larga escala de Biodiesel, sendo importadores de óleo para estas unidades.

       A produção de ésteres para utilização directa em motores Diesel obriga a respeitar algumas características e tem algumas vantagens sobre o óleo:

    -    Menor viscosidade

    -    Filtrabilidade a temperaturas baixas

    -    Maior índice de cetano (por vezes superior ao gasóleo)

       Os ensaios efectuados permitem verificar que é possível usar os ésteres sem qualquer modificação aos motores, não tendo surgido qualquer acidente e mantendo uma boa capacidade de arranque a frio.

       Algumas marcas automóveis já certificam os seus produtos para o uso de ésteres, nomeadamente, desde 1996, a Audi, a Volskwagen e a Peugeot em todos os seus modelos, a Mercedes como equipamento especial para os modelos C200 e C220 CDI bem como E200 e E220 CDI (a partir de 8/99 vem como equipamento de série para táxis), a Volvo de série para os modelos S80, S70 a partir do número de chassis 498287 e para o V70 a partir do numero de chassis 449405. A BMW irá equipar todos os seus modelos das Séries 3 e 5 a partir do 1º trimestre de 2001. A Ford e a Chrisler estão neste momento a apurar qual o melhor instrumento de marketing para promover a tecnologia.

       Misturado nas proporções de 10% de biodiesel para 90% de gasóleo qualquer motor o pode usar sem qualquer modificação, mas pode-se chegar aos 30% sem problemas. Neste momento numa experiência prática, concluiu-se que afirmar após 30.000 Km de utilização de mistura a 10% durante 10.000Km, 20% durante os seguintes 10.000Km e 30% durante os restantes que não houve qualquer problema num Jipe Galloper que tem neste momento 52.000Km andados sem qualquer problema. As revisões normais da marca não acusaram qualquer problema, nem houve a mais pequena indicação de qualquer problema de funcionamento. Arranque a frio, andamento, performance, reprises, etc., todo o comportamento é perfeitamente normal.

Os estudos efectuados com as marcas apontam para

        -    Arranque a frio mais fácil com Biodiesel do que com gasóleo para temperaturas maiores do que 8º C.

        -    Funcionamento do motor mais silencioso

        -    Superfícies de contacto dos cilindros com os êmbolos permanecem lisas

        -    Os depósitos nas câmaras de combustão são menos espessos do que os resultantes do gasóleo

        -    Sem qualquer afinação o consumo aumentou 5,3% em peso e 3,2% em volume relativamente ao consumo normal de gasóleo (devido às diferenças de poder calorífico entre os dois combustíveis).

 

 

 

 

8 – Poluição atmosférica

 

       Os óleos vegetais e seus derivados, são combustíveis de origem vegetal, daí que a quantidade de dióxido de carbono resultante da sua combustão seja sensivelmente a mesma que a absorvida, através da fotossíntese, pelas plantas que estiveram na sua origem. Sendo assim, estes combustíveis, contrariamente aos combustíveis fosseis derivados do petróleo, não irão desequilibrar o ciclo de CO2, não agravando portanto o “efeito de estufa”. De referir que caso não sejam utilizados para o fabrico de biodiesel, os óleos alimentares usados irão degradar-se naturalmente e dar origem à libertação de CO2.

       Mesmo ao nível das emissões de CO2, o balanço é largamente favorável aos ésteres quando comparados com os combustíveis fosseis. Por exemplo, 1TEP (Tonelada equivalente de Petróleo) de gasolina provoca a emissão de 3,4 t de CO2, enquanto que 1 TEP de éster provoca a emissão de 1,7 t de CO2 (Vermeersch, 1992).

       Como já foi referido, os óleos vegetais e respectivos ésteres destinam-se a serem utilizados em motores Diesel. Este tipo de motores, apesar de permitirem reduções no consumo de combustível e nas emissões de dióxido e monóxido de carbono, comparativamente aos motores a gasolina, emitem em contrapartida, grande quantidade de partículas (fumos). A utilização de ésteres, em vez de gasóleo origina uma redução de cerca de 50% nas emissões de partículas. Este facto deriva da presença de oxigénio nas suas moléculas, o que irá contribuir para uma melhor combustão e consequente redução dos hidrocarbonetos não queimados.[Gateau et al., 1985].

       Mesmo quando os ésteres são usados em mistura com gasóleo, as emissões de partículas sofrem uma redução até aos 40%.

       Os ésteres contêm pouco enxofre (menos de 0,05% contra os 0,26% do gasóleo) e não possuem compostos aromáticos.

       As emissões de aldeídos e cetonas são aumentadas, assim como o Monóxido de Azoto, no caso dos óleos de colza, muito usados na Alemanha onde são incentivadas as chamadas culturas energéticas.

 

       As vantagens do ponto de vista ambiental parecem evidentes em especial nos centro urbanos que se debatem com índices elevados de poluição automóvel. Aliás, este tem sido um dos principais argumentos que tem  levado várias entidades publicas europeias e adoptar a utilização de ésteres em veículos municipais e em transportes públicos. Os ésteres apesar de estarem a ser usados em misturas com o gasóleo, permitem melhorar consideravelmente a qualidade do ar dos centros urbanos.

 

9 – Considerações económicas

 

       Face à dependência energética em relação ao petróleo em que Portugal se encontra actualmente (85%) e aos elevados custos para a balança de pagamentos nacional da importação destes recursos, o seu não aproveitamento verte-se num custo acrescido para todos, sem levar em linha de conta os postos de trabalho que a recolha, transporte e valorização destes produtos poderiam gerar. 

       Face aos preços dos produtos petrolíferos e à insuficiente produção de óleos vegetais para satisfazer as necessidades alimentares e industriais, seria muito difícil a estes competirem com o petróleo. No entanto, a pressão ambiental e a privação de importações de petróleo, seja pelo seu esgotamento (previsto a partir de 2050 ao ritmo de consumo actual) seja pelas pressões de independência energética em relação aos países árabes (devido aos recentes acontecimentos), vem tornando esta alternativa mais e mais competitiva.

       Se do ponto de vista técnico os ésteres de óleos vegetais já deram provas suficientes de adaptação aos motores Diesel, falta ainda criar um ambiente político económico favorável à adopção generalizada como substituto do gasóleo. Em Portugal, o Estado tem como fonte de receita os impostos sobre os combustíveis e o investimento realizado em refinarias, como a de Sines, apontam para uma política de aumento da exploração das vantagens do sector e não da sua diminuição. A acção do Governo a este nível é inexistente, tendo sido iniciada uma acção para aproveitamento do óleo de girassol plantado na região alentejana com a sua posterior transesterificação e utilização na frota de autocarros da Carris. Ainda hoje se pode ver alguns autocarros com este reclame e os desenhos dos girassóis, só que o programa foi terminado e o biodiesel é importado de Espanha. O factor preço da sementeira e colheita e o preço final do óleo, aliados aos subsídios pagos pela sementeira (mas não pela colheita) de girassóis, levou à paragem do programa por ser inviável do ponto de vista financeiro (O preço por Kg de semente de girassol dá um preço por Kg de óleo de 356$ (Euros 1,78), com o gasóleo a 130$ (Euros 0,65) a subsidiação do preço do óleo teria valores incomportáveis).

 

10 – Legislação Aplicável

 

       Os óleos vegetais de fritura são catalogados como resíduos não perigosos (Catálogo Europeu de Resíduos CER  Código CER 200108 – Resíduos Orgânicos Compostáveis de preparação de refeições (incluindo óleos alimentares e resíduos de cozinhas de cantinas e restaurantes).

       A gestão de resíduos encontra-se actualmente regulada pelo Dec. Lei N.º 239/87 de 9 de Set que estabelece as regras a que fica sujeita, acompanhado da portaria 961/98 de 10 Nov que estabelece os requisitos a que deve obedecer o processo de autorização prévia das operações de armazenagem, tratamento, valorização e eliminação de resíduos industriais, resíduos sólidos urbanos e outro tipo de resíduos. 

       No aspecto particular do transporte a portaria N.º. 335/97 de 16 Maio fixa as regras de transporte de resíduos dentro do território Nacional e as entidades autorizadas.

       Em Portugal, face à legislação actual referida, o produtor é responsável pelos resíduos produzidos e pelo destino final a que esses resíduos são endereçados, no entanto, ao nível autárquico qualquer estabelecimento pode ser licenciado sem uma provisão para entrega de resíduos deste tipo a uma entidade certificada para a sua recolha. Diga-se também que os pedidos que dão entrada no Ministério do Ambiente para autorização prévia de entidades deste tipo não têm surtido muito efeito em número de entidades autorizadas. Ou seja, se por Lei é proibido deitar no esgoto, a verdade é que não existe um sistema de recolha obrigatório e também não é fiscalizado o destino que levam os resíduos. O produtor em geral desconhece que seja da sua responsabilidade o destino final a dar aos resíduos e que se lhe forem pedidos os documentos legais a coima poderá ir até aos 900.000$00 (Euros 4489,20).

       Por outro lado, não estão operacionalizados os meios de verificação destes despejos, sendo detectada a sua existência pela contaminação dos filtros de gorduras das ETAR’S. As agências municipais de energia trocam informações a este respeito, mas os programas ainda se apresentam incipientes e pouco eficazes (algumas campanhas de divulgação nas Escolas, os autocarros com girassóis referidos e algumas iniciativas pontuais).

 

11 – Resolução Para as Energias renováveis da Comissão Europeia

 

       Esta resolução foi recentemente aprovada como directiva, o que obrigará os estados Membros a verter para a legislação nacional no prazo de dois anos. Podemos portanto esperar que em 2003, Portugal terá de adoptar na sua legislação o que os Estados Membros decidiram no seio do Parlamento Europeu.

       A resolução aponta como objectivo  uma contribuição de 12% a partir de energias renováveis para o consumo bruto de energia da União Europeia em 2010. Para que este objectivo possa ser alcançado, um plano de arranque com verificações parcelares em 2003, 2006 e 2010 será operacionalizado. A primeira fase é chamada Campanha para o arranque e encontra-se em curso neste momento.

       Nesta campanha de arranque é pedido aos estados membros aderentes que atinjam os totais abaixo das respectivas energias renováveis:

 

            Energia Solar -  15.000.000 m2 de colectores solares com um custo de 4,7 Becu

            Energia Eólica -  10.000 MW provenientes de turbinas eólicas custo 10,1 Becu

            Biomassa – 10.000 MW de instalações combinadas de calor e energia 5,5 Becu

-         1.000.000 de instalações aquecidas por biomassa 4,4 Becu

-         1.000 MW de instalações de Biogás           1,2 Becu

-         5.000.000 Ton de biocombustíveis              1,25 Becu

 

       Além destes objectivos, existem 100 comunidades que irão apontar para 100% de utilização de energias renováveis, sendo os resultados divulgados pela comissão para expansão da rede. Estas comunidades serão distribuídas em igual numero por comunidades urbanas, rurais e comunidades isoladas.

       Para que o arranque seja possível é necessário conjugar os esforços da industria, comunidades, autarquias, autoridades publicas e forças políticas.

       O objectivo particular dos 5.000.000 de ton de biocombustíveis está a ser perseguido em força pelo aumento da cultura de colza na Alemanha em França e na Áustria, sendo que a Espanha também iniciou algumas culturas com este fim.

       Na perseguição dos objectivos de Quioto, esta campanha permitiu que a Inglaterra e a Alemanha fossem dos poucos países que reduziram as suas emissões de CO2, através da implementação de programas vários consagrados na campanha de arranque. (A Inglaterra instalou na zona da Cornualha um parque extenso de Turbinas eólicas, permitindo substituir 4,7 Mton de carvão para produção de energia eléctrica por energia proveniente de fonte renovável).

 

12 - Reciclagem de óleos para sabão

 

      Informação sobre o processo de reciclagem de óleos alimentares para fabrico de sabão.

Fonte: Socipole

13 - Utilização de óleos para rações

      A utilização de óleos alimentares usados para o fabrico de rações tem, à semelhança de outros países europeus, ter de ser proibida em Portugal.

      Os óleos alimentares que foram utilizados para fritar possuem na sua composição moléculas tóxicas, pelo que a sua incorporação nos constituintes das rações animais acarretam graves riscos para a saúde pública devido à entrada dessas moléculas na cadeia alimentar.

 

14 – Conclusão

      A situação a nível nacional neste domínio não é famosa. Não existem objectivos definidos, não existe uma política definida e conjugada que atribua prioridades de acção nestes domínios, os organismos do Ministério do Ambiente entravam os processos de autorização prévia de funcionamento com a sua burocratite aguda (até agora não foi emitida nenhuma autorização prévia de funcionamento para entidades ligadas ao tratamento ou valorização destes resíduos). Os resíduos, se bem que se saiba que continuam a ser produzidos, são alegremente despejados nos esgotos pelos seus produtores. Os produtores desconhecem que são obrigados a dar destino final aos seus resíduos, ou se não desconhecem fazem-se esquecidos e ninguém lhes dá qualquer penalização por isso. Os serviços de fiscalização não se preocupam em verificar se a Lei está a ser aplicada, nem têm como o fazer, porque também não têm conhecimento do que devem fazer, nem existem directivas que os orientem. O licenciamento dos restaurantes novos continua a ser possível sem qualquer provisão para o destino a dar aos resíduos. Os particulares não sabem que existe esta ou qualquer outra medidas e apenas têm conhecimento das recolhas selectivas de papel, plásticos, vidros, pilhas, óleo automóvel, etc. Não foi ainda implementado o “oleão”, nem sequer existe intenção de o fazer no futuro próximo. Ao nível dos efluentes hídricos não é verificado o nível de gorduras e a sua proveniência ou implementado qualquer meio para as retirar do sistema. Os problemas de funcionamento das ETAR’S não são atribuídos aos culpados, nem estes são multados para evitar de voltar a fazê-lo ou para prevenir que alguma vez o venham a fazer. As firmas de recolha que trabalham com algumas cadeias de restaurantes, fazem a sua angariação de forma casuística, não existindo cobertura sistemática.

      Do ponto de vista da saúde publica por outro lado é também de notar que os fritos que chegam à mesa dos restaurantes é muitas vezes baixa, devido ao excesso de fritura que estes óleos apresentam. A inexistência ou fraca fiscalização sanitária permite que os mesmos óleos sejam reutilizados até estarem impróprios para consumo. Este facto só por si como potenciador de doenças cardíacas e hipertensão deveria também ser levado em conta.

      Obviamente que não pode ser o Estado a arcar com o esforço de assegurar sozinho a tarefa de recolher e valorizar os óleos que são diariamente despejados nos esgotos pelas donas de casa e pelos restaurantes, no entanto, a implementação de uma política concertada nesta área, dinamizando as entidades privadas que pretendam investir neste sector através da abertura concurso para licenças de exploração de firmas de recolha e para firmas de valorização e o apoio técnico e financeiro aos investidores, traria certamente benefícios para o meio ambiente e para a economia do País.

      Não podemos esquecer que Portugal é importador de gasóleo. Se bem que  a produção de gasolina seja excedentária e sejamos exportadores de gasolina refinada, importamos quase 300.000 ton de gasóleo anualmente. A inclusão de apenas 10% de Biodiesel no gasóleo dos veículos de transporte publico seria suficiente para obviar a esta importação e substituiria com vantagem a saída de divisas.

 

Legislação

Directiva n.º 2003/30/CE de 08-05-2003 (Versão 1 - Originária)

Título: Promoção da utilização de biocombustíveis

Sumário: Directiva 2003/30/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 8 de Maio de 2003, relativa à promoção da utilização de biocombustíveis ou de outros combustíveis renováveis nos transportes. 

 

Legislação instalação de biodiesel:

 

Legislação projecto-piloto:

 

Legislação recolhedores:

 

Normas biodiesel:

 

Orçamento Geral do Estado:

http://www.dgo.pt/oe/index.htm

Posição Comum n.º P5_TC2-COD(2001)0265 de 12-03-2003 (Versão 1 - Originária)

Título: Promoção da utilização de biocombust. nos transportes

Sumário: Posição do Parlamento Europeu aprovada em segunda leitura em 12 de Março de 2003 tendo em vista a adopção da Directiva 2003/.../CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativa à promoção da utilização de biocombustíveis ou de outros combustíveis renováveis

 

Comunicados

Primeiro Posto de Abastecimento de Biodiesel em Portugal: Alternativa ao petróleo avança (30-09-05)

1º Encontro sobre óleos alimentares usados e biodiesel reúne mais de 100 técnicos (28-05-03)

Óleos de fritar usados podem substituir gasóleo (23-01-03)

Quercus apela ao Ministério da Economia para não criar monopólio nos biocombustíveis (19-01-05)

 

Contactos

AMALGA

AMES - Agência Municipal de Energia de Sintra

Atlas Seis

AUTO-VILA, Reciclagem de Resíduos Industriais, Lda. (Sede)

BDP - Biodiesel de Portugal geral.bdp@gmail.com

BIOLOGICAL – Gestão de Resíduos Industriais, Lda

CM Coimbra

CM Lisboa

CM Oeiras

DieselBase

IST

Outros contactos

Recióleo - Associação de recolhedores de óleos: geral.recioleo@gmail.com

SOCIPOL

Space Ecocombustíveis

Sunergy

Outros contactos

 

Documentos

Impactes socio-económicos da isenção de ISP ao Biodiesel produzido a partir de óleos alimentares usados

Autor: Quercus

Ano: Dezembro, 2003

 

Produção de Biodiesel a Partir de Óleos Usados de Fritura + anexos

Autor: Pedro Felizardo

Ano: Outubro, 2003

 

1.as  JORNADAS TÉCNICAS SOBRE BIODIESEL PRINCIPAIS CONCLUSÕES E NOTAS DOS GRUPOS DE DISCUSSÃO

Autor: Quercus

Ano: Maio, 2003

 

Estratégia para a Gestão dos Óleos Alimentares Usados  (Documento de trabalho)

Autor: Quercus

Ano: 2003

 

Linhas de Definição Estratégica do Sistema de Gestão dos Óleos Alimentares Usados

Autor: INR

Ano: Fevereiro, 2004

 

Link's

Secção sobre BIODIESEL do Fórum Nova Energia:

www.novaenergia.net/forum/index.php?c=1

 

 Contém praticamente tudo o que é necessário sobre o BIODIESEL

 http://www.biodiesel.org/

 

 Veggie Van Organization - Organização sem fins lucrativos com informação sobre o BIODIESEL

 http://www.veggievan.org

 

 Organização não governamental para as áreas do ambiente e para o desenvolvimento do trabalho rural

 http://journeytoforever.org/

 

 Departamento da Agricultura dos U.S. - Abordagem muito completa sobre combustíveis BIO

 http://www.nal.usda.gov/ttic/

 

 Departamento da Energia dos U.S. - Alternative Fuels Data Center

 http://www.afdc.doe.gov/

 

 Outros, não menos interessantes:

 http://www.worldenergy.net/

 http://www.biodiesel-intl.com/

 http://www.energyinstitution.org/

 http://www.pipeline.to/biodiesel/

 http://www.me.iastate.edu/biodiesel/

Última Actualização: 10/10/06